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segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Filme #177 – Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind, 2004)

Você pode apagar alguém da sua mente. Tirá-lo do seu coração é outra história.

Joel se surpreende ao saber que seu amor verdadeiro, Clementine, o apagou completamente de sua memória. Ele decide fazer o mesmo, mas muda de ideia. Preso dentro da própria mente enquanto os especialistas fazem o processo de apagar suas lembranças enquanto se mantêm ocupados em seu apartamento, Joel logo precisa avisá-los para parar.

Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind, 2004)


O filme nos mostra a história de amor entre Joel Barish (interpretado por Jim Carrey) e Clementine Kruczynski (interpretada por Kate Winslet), não (inteiramente) da forma tradicional, mas através de memórias, memórias das quais Joel luta para não serem apagadas.

Clementine e Joel formavam um casal um tanto conturbado, até que um dia, após uma briga, Clementine decide apagá-lo de sua memória (sim, apagá-lo, através de um procedimento). Joel descobre isso após receber uma carta da empresa que fez esse procedimento em Clementine.

Tomado pelo sentimento de vingança, ele procura a mesma empresa, onde é atendido por Mary Svevo (interpretada por Kirsten Dunst) e pelo Dr. Howard Mierzwaik (interpretada por Tom Wilkinson). A partir daí, Joel decide fazer o mesmo que ela, na tentativa de pôr um fim em sua angústia.

Quando Joel recebe Patrick (interpretado por Elijah Wood) e Stan (interpretado por Mark Ruffalo), funcionários da empresa, em sua casa pra realizar o desejo de se ver livre das próprias memórias, ele acaba percebendo o quanto as lembranças dos dois são importantes para ele e é nesse momento que começa sua luta pra “esconder” a memória de Clementine, do contrário ela seria totalmente apagada.

A forma do filme contar essa história parece ser uma metáfora para a própria memória. Quando estamos recordando, as lembranças surgem de forma aleatória, desordenada, caótica.

O título do filme é um verso do poema Eloísa para Abelardo, do escritor inglês Alexander Pope. Publicada em 1717, a composição se inspirou na história real dos franceses Pedro Abelardo e Heloísa de Paráclito.

Heloísa era freira e Abelardo um importante filósofo e teólogo do seu tempo. Juntos viveram um romance proibido que gerou um filho. Quando a ligação foi exposta, os dois caíram em desgraça: ela foi trancada num convento e ele foi castrado.

Como é imensa a felicidade da virgem sem culpa.
Esquecendo o mundo e o mundo esquecendo-a.
Brilho eterno de uma mente sem lembranças!

No poema, o sujeito parece refletir sobre o modo como as lembranças podem provocar dor e desespero. Pelo contrário, o esquecimento surge como uma possibilidade idílica de libertação.

Acredito que durante as 2h de filme é uma mistura de psicológico com romance dramático e tendo como base a ficção científica, porém esse último não é tratado como algo sem noção e que não pudesse ocorrer, e sim como algo que nos faz refletir sobre as nossas escolhas e se isso realmente fosse possível, será que as pessoas fariam? Acredito eu que sim, esquecer pessoas, memórias ruins e transtornos, mas todos os acontecimentos da vida, sejam bons ou ruins, nos fazem evoluir, certo? Bem, é complicado. Indico o filme a todos!

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