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sexta-feira, 27 de março de 2020

Minha Memória de Séries #53 – Tudo Que é Sólido Pode Derreter

Em Tudo Que É Sólido Pode Derreter acompanhamos as aventuras de Thereza e seus amigos numa divertida crônica juvenil recheada de emoção, descobertas e livros... pois é: muitos livros 100% brasileiro. A série busca explorar de forma atraente e com bom muito humor o universo adolescente a partir do cotidiano da jovem Thereza, que estuda na escola grandes obras da literatura de língua portuguesa, descobrindo e envolvendo-se com suas histórias.

Produzida pela Ioiô Filmes em parceria com a TV Cultura, a série é derivada do premiado curta-metragem de mesmo nome, dirigido por Rafael Gomes, que agora adapta a trama para uma construção dramatúrgica em capítulos. O curta-metragem Tudo o que é sólido pode derreter é uma porta de entrada para o universo shakespeariano. Contando a história de uma garota de 15 anos que tem de estudar a peça Hamlet, de Shakespeare, justamente numa fase em que sua vida está em crise, o filme coloca numa mesma mistura, entre outros, a solidão e a angústia características da adolescência, a vida escolar e a dor da perda de um parente querido – tudo permeado pela descoberta de um clássico da literatura universal.

Assim, o curta acompanha a jornada de iniciação artística de uma garota inteligente e de vibrante vida interior. Conforme começa a compreender as inquietações do príncipe Hamlet, a protagonista passa a compartilhar de suas dores e, a partir delas, aprende a se fortalecer para a vida.

Tudo O Que É Sólido Pode Derreter, o filme, mostra como Hamlet pode dialogar com o público jovem da atualidade, traçando paralelos entre livro e vida e construindo uma crônica juvenil delicada e divertida, que mescla humor e drama para abordar o tema da transição para a idade adulta.

 Tudo Que é Sólido Pode Derreter

Tudo o Que É Sólido Pode Derreter
, a série, visa adaptar essa premissa para uma construção dramatúrgica em capítulos. Terá a mesma jovem do filme como personagem fixa, descobrindo e envolvendo-se, a cada episódio, com uma obra importante da literatura de língua portuguesa, seja ela um romance, uma peça de teatro ou um poema.

Viajando por entre o O Auto da Barca do Inferno, Os Sermões, Os Lusíadas, Canção do Exílio, Senhora, Macário, Dom Casmurro, Ismália, Quadrilha, Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres, Quem Casa Quer Casa, O Guardador de Rebanhos e Macunaíma, a série dialoga com o público jovem da atualidade, traçando paralelos entre livro e vida e construindo uma crônica juvenil delicada e divertida, que mescla humor e drama para abordar o tema da transição para a idade adulta.

Mas o maior mérito da série é a qualidade dos episódios. Neles o telespectador acompanha o crescimento da jovem Thereza, vendo-a refletir sobre as leituras estudadas em sala de aula enquanto lida com os conflitos da adolescência. No episódio de abertura, aos poucos vamos conhecendo a protagonista, sua casa, sua escola. Ela é aluna do 1º ano de Ensino Médio. Também, aos poucos, vamos conhecendo os colegas antigos, o colega novo, o professor de literatura, os pais. Sabemos do tio querido, que está morto. Thereza e os amigos de escola são pessoas comuns, pertencentes à classe média paulistana. Estudam em uma escola pública, andam de ônibus, conversam pela internet. Passam por situações semelhantes às de muitos jovens nessa faixa etária: timidez, problemas familiares, questões existenciais. 

Acompanhar o dia-a-dia dessa turma já faria da série algo atrativo, mas seu diferencial está na relação direta entre as angústias dessa jovem e as reflexões provocadas pelas obras que ela estuda nas aulas de Literatura. Realidade e ficção misturam-se na imaginação de Thereza, onde autores e personagens ganham vida para interagir com o mundo contemporâneo. Outra ponte entre o real e o fantástico é o tio, já morto. Assim como os outros seres imaginados, ele aparece para a sobrinha, estabelecendo um contato provocante, mas carinhoso e protetor, ajudando a menina a atravessar seus conflitos.

Durante sua única temporada de 13 episódios, acompanhamos essa aproximação da adolescente à obra em questão, traçando paralelos lúdicos e sentimentais. São amplamente exploradas as possibilidades cênicas e dramáticas do encontro entre a realidade juvenil retratada e o vasto mundo ficcional presente na obra literária.

A série buscou equilibrar um tom realista, de observação das dores e alegrias da personagem adolescente, e o lado fantasioso de encontro entre a vida real urbana com todo um universo ficcional distinto, que possibilita à mente jovem ousados voos associativos e imaginativos. Possui um ponto de vista bastante subjetivo. O espectador é sempre guiado pelo olhar da protagonista e a costura entre seu cotidiano e a obra por ela estudada se dá através do seu mundo e de seus sentimentos.

Conheci a série no ano de seu lançamento, em 2009 nas noites da TV Cultura, logo acabei me vicindo, tive a oportunidade de assistir também pelo Sony Spin (que descanse em paz) e até mesmo na TV Rá-Tim-Bum. Sim, acompanhei tudo que foi exibição e ainda se tivesse passando com certeza assistiria, eu me ''amarrei'' nessa série e sinto profundamente o cancelamento dela. Acabou sendo lançada em DVD, porém devido a carístia do Box com os 13 episódios acabei não comprando. Enfim pessoal, mais uma série na minha memória. Abraços.
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Um comentário

  1. Bela resenha. TV Cultura sempre com ótimos conteúdos.

    Bom fim de semana!

    Jovem Jornalista
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    Até mais, Emerson Garcia

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